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Encontros e desencontros em Kyoto
Por Maya Sassaki   
27 de novembro de 2007

kyoto_thumb-5.jpgA estação de trem de Kyoto é gelada. Essa é uma das primeiras impressões que os bolsistas brasileiros tiveram assim que chegaram a antiga capital do Japão. "Caraca, passa muito vento aqui!", reclamava um. Mas isso não importava. Em poucos minutos mais amigos chegariam e a fase dos reencontros, de botar a conversa em dia, de dar aquele puxão de orelha, seria iniciada.

Entre um trem e outro, chegavam mais rostos conhecidos. Alguns viriam de ônibus também, tendo varado a noite sentados em poltronas pouco confortáveis só para estar com quem se gosta. Outros malucos pegaram até avião, veja só.

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Mas valeu a pena. A cada abraço, beijo, todo o esforço era recompensado. E às 14h do dia 17 de novembro, o Kyoto no Kouyou teve início. Diogo Shimizu, bolsista de Kobe, foi o grande guia dos passeios, carregando uma espécie de cajado apelidado carinhosamente de "pau do Diogo". Seguíamos o reluzente bastão em direção à primeira parada, o Heian Jingu.

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Os bolsistas, fazendo valer o sangue japonês que corre nas veias, não deixaram uma cena ou pose passar em branco. Tiravam fotos de tudo e de todos. Do enorme Tori na entrada do templo, das pessoas, do riozinho que passava por lá, das crianças japonesas vestidas a caráter, e é claro, do Jingu. E não poderiam faltar milhares de fotos grupais também, para desespero dos fotógrafos, que mais pareciam árvores de natal com tantas câmeras penduradas no pescoço.

Pudemos apreciar a ponte que serviu de cenário para o filme "O Último Samurai", que mais tarde virou a "ponte do Tom Hanks", e ver o sol comecando a se por em Kyoto. Vale dizer que um habitante da cidade afirmou que esse foi o final de semana de auge do kouyou, não poderia ser melhor.

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Partimos a pé em direção ao próximo destino, que era o templo Chion in. Contruído todo em madeira, o templo recebia aquela hora uma iluminação noturna toda especial, que exaltava sua beleza. Dentro dele, acontecia um recital de piano. Uma multidão de chineses entupia o lugar, aliás, Kyoto foi literalmente invadida por turistas chineses. Vimos poucos japoneses pelas ruas, mas em compensação, turistas de toda a ásia não faltavam e nós, sulamericanos, marcávamos presença.

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Era hora de descansar um pouco o corpo e a mente. Voltamos para a estação de Kyoto, jantamos e aí se iniciou a série de imprevistos que marcariam a viagem. Uma perdeu a bolsa, depois achou. Outros se perderam do grupo. E todos erraram o ônibus pra ir ao Ryokan. Parece trágico, mas esses eventos transformaram o encontro num evento único e inesquecível.

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Após viagens apertadas, conversas com taxistas simpáticos ou nem tanto, chegamos ao Ryokan. O estilo era bem japones, super aconchegante. Havia os que queriam dormir e os que queriam festa. Kyoto era para todos os gostos.

Difícil acordar cedo quando se está enrolado num futon quentinho e morrendo de sono. Mas isso teve que acontecer, as 8h de domingo. Tomamos café, fomos para o lindo Kinkakuji, encontramos mais amigos.

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Nos perdemos ainda algumas vezes, levamos tudo com muito bom humor e fechamos o encontro com chave de ouro, no lindo Kiyomizudera. Mulheres vestidas a caráter contrastavam com a grande quantidade de turistas estrangeiros que passava por lá. Bebemos a água do templo, fizemos pedidos, abraçamos a pedra do amor.

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Kyoto prova que quem faz uma coisa ser boa é a companhia dos amigos. Todo o resto é lucro.

 
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